Luxação do Ombro

A luxação do ombro ou luxação glenoumeral é uma lesão grave.

Um erro comum que percebemos é confundir contusão com luxação, luxação de qualquer articulação do corpo é uma lesão que pode ser potencialmente grave, enquanto uma contusão é algo ameno, em geral.

Quando você ouvir a frase: "Foi apenas uma luxação" com certeza não foi uma luxação e sim uma contusão.

Na luxação há uma perda da continuidade articular com impotência funcional e uma dor enorme.

Tive a oportunidade de participar de vários campeonatos de Jiu-Jitsu como atleta e médico e quase sempre me deparava com uma luxação do ombro.

O tipo de luxação mais comum é o traumático, podendo ocorrer em um movimento brusca de rotação externa do ombro (americana) ou na queda.

Nessa luxação há ruptura do lábio inferior da glenóide (lesão de Bankart), diminuindo a cobertura da articulação e criando um ponto de fragilidade, que no movimento de rotação externa (americana) é forçado e ocorre a perda da continuidade da articulação.

Na luxação aguda na academia ou em uma competição, deve-se proteger o ombro do lutador usando uma tipóia, que pode ser feita com a própria faixa, gelo e um analgésico ou antiinflamatório, desde que o atleta não tenha restrições de uso da medicação.

Há várias técnicas para recolocar no lugar a articulação. Essas técnicas devem ser feitas apenas por profissionais habilitados pois há o perigo de interposição de nervos e vasos ou até mesmo de fratura do úmero durante uma manobra feita de forma errada, portanto se não houver esse profissional no local a melhor escolha é levar o paciente a um hospital.

Em pessoas de menos de 20 anos que tenham luxado o ombro por esse mecanismo há aproximadamente 90% de chance de reluxação. Se ocorre um segundo episódio, mesmo em idades mais elevadas, há aproximadamente 100% de chance de reluxação.

Por essa razão, se ocorre a segunda luxação nós indicamos cirurgia, fato que diminui a possibilidade de reluxação para menos de 5%.

Cada vez que ocorre uma luxação também há uma pequena fratura da cabeça do úmero, esse fato pode causar na sua contínua reincidência uma fratura de proporção maior que pode servir como fulcro para novas luxações.

Além disso pode haver distensão da cápsula e piora das lesões de partes moles.

Por essa razão quanto maior o numero de luxações, maior será o tamanho, a gravidade e a dificuldade do tratamento das lesões.

Com o tempo e o aumento da gravidade das lesões a restrição das atividades diárias chega ao ponto de não se poder pegar um objeto no banco de trás do carro ou puchar o cinto de segurança.

Se realizada a cirurgia o paciente poderá retornar ao trabalho de baixo débito em 3 semanas com algumas restrições e sem restrições em 6 semanas. As atividades esportivas podem ser retomadas em 12 semanas em nível leve e após mais 12 semanas em nível competitivo.

O tratamento deve ser orientado por um médico habilitado em cirurgia de ombro e cotovelo preferencialmente por via artroscópica, já que com essa técnica há mínima invasão e mínima lesão, promovendo assim o retorno precoce às atividades.

Dr. José Carlos Garcia Jr.
Médico Assistente da Escola Paulista de Medicina
Universidade Federal de São Paulo
Rua Indiana, 670 - Brooklin / São Paulo-SP
Contato: (11) 5044-2299 e 5044-5967

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